Foi publicado no O Diário de S. Paulo, dia 04 de julho de 2008, que Daniela Mercury tascou um beijo, em pleno show, na vocalista de uma banda de axé qualquer, que não me recordo agora. Segundo o jornal, enquanto cantavam uma música romanticazinha, Danni (para as íntimas entendidas) improvisou uma cena caliente e, não satisfeita, roubou uma bitoca da tal moça. Tá aí. De certo, Daniela estava se sentindo um tanto quanto excluída deste meio MPBístico de sapatas, sapatilhas, caminhoneiras e afins. Nossa rainha-brega-mas-que-canta-MPB-de-vez-em-quando não quis ficar atrás ($$$), vestiu seu maiô, celular na cintura, carteira, cigarros, isqueiro na porchete e surfou na velha onda nova.
Só me resta fazer uma pergunta: onde nossa verdade vai parar?
7.13.2008
7.12.2008
Um brinde à exclusão
Ela era estrela e brincava de Deus na hora de encenar. O vento trazia as lamentações de um mundo inteiro e era, ao mesmo tempo, euforia e calmaria para todo um povo que não entendia muito bem o que era a vida, não. Subia no palco e cantava e gritava e emocionava e gargalhava. Ela era deusa e cálida para toda aquela gente que não sabia o que era sonho. Os homens gozavam da efêmera folia de seus corações, clamando para que fosse eterna.
Ali ela era de fato o próprio Diabo encarnando Deus e o que falava virava mandamento. Passeava pelas mesas e por seus poros soltava a magia de uma bruxa vestida de fada. Ela era dona do espetáculo naquelas noites quentes. Era dona dos esparramos, do ápice de uma felicidade temporária, dos orgasmos e da destruição de toda uma família que só sabia rezar o pai-nosso.
Despia-se e brindava ao som dos aplausos de uma gente que conhecia a festa, a melodia, a vida-fantasia por apenas algumas horas. Era um povo sofrido, abatido, morto diante de um mundo inteiro que não aparecia. Chegava, sorria e tocava a dança com sagacidade. As cortinas se abriam e aquela gente berrava, e pedia mais uma, e outra, e mais uma outra. Ela era vil, mas isso ninguém sabia. Era a dama da noite, a dona do mundo, a fera vestida de boa moça.
Ela era mentira, verdade inventada, ardor e suor de uma gente que não sabia ler nem escrever, mas que sentia a dor nas mãos e nas pernas e na cabeça de uma labuta interminável, quase que sem retorno algum. Aquela gente não sabia o que era saudade, não, mas tinha gana de querer aquela noite para todo o sempre. Ela era, de início, branca, serena, desejada. Depois virava o verdadeiro inferno, a causa de noites mal dormidas, a preocupação e a estagnação diante de um universo que só sabiam que existia porque alguém contava.
Ela era a mordaz cachaça que trazia para os homens daquela e de todas as noites a desordem e o sossego, a cólera e a calma, a febre e a cura. Em suma, trazia esperanças de um vida, se não melhor, menos maldita. Eles eram bêbados cantando músicas de amor, contando piadas repetidas, gritando durante a madrugada para ver se se livravam da amargura de toda uma vida infeliz. Eles queriam conhecer o mundo, mas o mundo não chegava naquele lugar. Eles eram pobres de espírito e tinham uma única diversão: a boemia.
Ali ela era de fato o próprio Diabo encarnando Deus e o que falava virava mandamento. Passeava pelas mesas e por seus poros soltava a magia de uma bruxa vestida de fada. Ela era dona do espetáculo naquelas noites quentes. Era dona dos esparramos, do ápice de uma felicidade temporária, dos orgasmos e da destruição de toda uma família que só sabia rezar o pai-nosso.
Despia-se e brindava ao som dos aplausos de uma gente que conhecia a festa, a melodia, a vida-fantasia por apenas algumas horas. Era um povo sofrido, abatido, morto diante de um mundo inteiro que não aparecia. Chegava, sorria e tocava a dança com sagacidade. As cortinas se abriam e aquela gente berrava, e pedia mais uma, e outra, e mais uma outra. Ela era vil, mas isso ninguém sabia. Era a dama da noite, a dona do mundo, a fera vestida de boa moça.
Ela era mentira, verdade inventada, ardor e suor de uma gente que não sabia ler nem escrever, mas que sentia a dor nas mãos e nas pernas e na cabeça de uma labuta interminável, quase que sem retorno algum. Aquela gente não sabia o que era saudade, não, mas tinha gana de querer aquela noite para todo o sempre. Ela era, de início, branca, serena, desejada. Depois virava o verdadeiro inferno, a causa de noites mal dormidas, a preocupação e a estagnação diante de um universo que só sabiam que existia porque alguém contava.
Ela era a mordaz cachaça que trazia para os homens daquela e de todas as noites a desordem e o sossego, a cólera e a calma, a febre e a cura. Em suma, trazia esperanças de um vida, se não melhor, menos maldita. Eles eram bêbados cantando músicas de amor, contando piadas repetidas, gritando durante a madrugada para ver se se livravam da amargura de toda uma vida infeliz. Eles queriam conhecer o mundo, mas o mundo não chegava naquele lugar. Eles eram pobres de espírito e tinham uma única diversão: a boemia.
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